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Elenita Monteiro, editora da Hora do Ovo

Tenho 51 anos e muitos daqueles que são menos íntimos já me chamam de senhora há um bom tempo. Na primeira vez em que me chamaram de senhora eu tinha uns 35 anos e fiquei horrorizada. Luto até hoje para meus sobrinhos – todos jovens donos de suas vidas – pararem de me chamar de “senhora”. Tentativa inútil. São todos muito bem educados por minhas irmãs e só me enxergam como alguém cuja autorIDADE merece o respeito do tratamento cerimonioso.

Ok, vocês venceram!

Desisti de brincar dizendo que a Senhora está no Céu!

O que importa é que a Elenita está aqui com os pés bem na terra, se sentindo uma menina ainda, adorando fazer descobertas e experimentações, livre das amarras que tinha aos 10, aos 20, aos 30 anos... Confesso que foi só a partir dos 40 que fui me sentindo mais livre das amarras, tantas amarras inúteis às quais me apegava para não me perder. Me perdia da mesma forma, e ainda por cima, amarrada!

E confesso também que continuo a desatar nós após nós e sonho chegar à idade da liberdade, quando nada mais me atará ao que não desejo, nada mais me prenderá ao desejo do outro, e eu navegarei, livre, no fluxo da vida, como ela deve ser vivida: intensa e conscientemente. O que é um processo, eu sei.

E sei também que viver com liberdade, ou viver A Liberdade, é uma utopia. Tudo bem! Ao caminhar para realizar nossa utopia, vamos ficando mais conscientes do que queremos, e vamos sendo mais inteiros.

Minha terapeuta diz que devemos ter uma utopia para chamar de nossa. Uma vez perguntou-me qual era a minha. Não soube responder. Agora sei: minha utopia é ser livre.

Não dá? Não dá, como boa utopia que é.... mas nas minhas tentativas, vou ficando menos e menos presa, mais e mais livre.

Já não me torturo quando erro, por exemplo.

Ah, que liberdade isso dá!

E já não me incomodo de ser ignorada por uns, considerada esquisita por um ou outro, desprezada aqui e ali por quem não entende o jeito descomplicado que tenho agora. Não deu tempo de pintar o cabelo? Vamos de cabelos brancos ao vento mesmo... Ao menos o título de “senhora” fica mais justificado pelo notório passar do tempo que meus cabelos brancos acusam.

Minha cabeleireira ficou discretamente horrorizada quando disse que penso em - num momento de mais coragem – deixar meus cabelos brancos como Deus os manda agora. Ainda não sou livre o suficiente para ostentá-los sempre brancos, como a natureza me pede, mas chego lá... Essa é uma pequena e fútil utopia a que me dedicarei horas dessas.

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Exibir comentários

  • Patricia Zanin 13/7/2012

    Elenita, que texto delicioso. Um viva à liberdade, às utopias e à intensidade da vida, que merece ser celebrada e vivida. Viva!!! Beijo grande e parabéns, Patricia

  • ercilia ricci 23/7/2012

    feliz da pessoa que vive intensamente os 51 anos eu os vivo com coragem e determinçao,

  • Ercilia Ricci 23/7/2012

    Ultrapassar barreiras e ir além. Acreditar que é possível e alcançar. Não desistir, jamais. Vencer os desafios, sempre. Você é bem mais capaz do que imagina.

  • Rocco Ansante 30/7/2012

    Parabens pela coragem de escrever aquilo que pensa.Eu assumi meus cabelos brancos,que me dizem que é charme,será? Gostei da cronica. Parabens. Rocco

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